O que é
A rentabilidade líquida estimada é o rendimento anual que sobraria de um título do Tesouro Direto mantido até o vencimento, depois de descontados o imposto de renda e a taxa de custódia.
A rentabilidade bruta mostra quanto o título rende antes dos custos. Mas o investidor paga taxa de custódia à B3 durante todo o período e recolhe imposto de renda sobre o ganho no resgate, com alíquota que depende do prazo. O efeito desses descontos varia muito: pesa mais em prazos curtos, quando o IR é maior, e pode ser zero de custódia em parte do Tesouro Selic. Converter tudo de volta para % ao ano facilita comparar títulos e prazos.
De onde vêm os números
O ponto de partida é a rentabilidade bruta estimada do título, que já usa a taxa do Tesouro Nacional e as premissas macro (IPCA 12 meses e Selic meta) da tabela única do indicex, exibidas ao lado do número.
Sobre ela, o indicex aplica:
- prazo: dias úteis até o vencimento, pelo calendário de feriados nacionais, e dias corridos para enquadrar o IR;
- taxa de custódia da B3: 0,20 % ao ano sobre o valor aplicado, proporcional ao prazo; o Tesouro Selic é isento até R$ 10.000,00 por CPF, com cobrança só sobre o excedente;
- IR regressivo: 22,5 % até 180 dias corridos, 20 % até 360, 17,5 % até 720 e 15 % acima disso, sobre o ganho já descontada a custódia, porque a taxa paga reduz a base do imposto.
O ganho líquido acumulado é então reanualizado em base de 252 dias úteis. Se faltar uma premissa, o resultado aparece como "—" com o motivo.
Exemplo
Considere um prefixado fictício com taxa de 12,00 % a.a., vencimento em exatos 504 dias úteis (dois anos, mais de 720 dias corridos) e aplicação de R$ 10.000,00:
- fator bruto: 1,12² = 1,2544, ou seja, R$ 12.544,00 no vencimento;
- custódia acumulada: 0,20 % × 2 = 0,40 % do valor aplicado, R$ 40,00;
- ganho antes do IR: 25,44 % − 0,40 % = 25,04 %, ou R$ 2.504,00;
- IR de 15 %: R$ 375,60; ganho líquido de R$ 2.128,40, ou 21,284 %;
- reanualizando: a raiz quadrada de 1,21284 é cerca de 1,1013, o que dá 10,13 % a.a. líquidos.
Se o mesmo título vencesse em 100 dias corridos, a alíquota seria de 22,5 %, e a diferença entre bruto e líquido ficaria bem maior.
Como interpretar
A diferença entre bruta e líquida mostra quanto os custos consomem do rendimento. Em prazos longos, ela tende a se estabilizar perto do efeito de 15 % de IR mais a custódia. Em prazos curtos, o IR mais alto amplia a distância.
O indicador ajuda a comparar títulos com prazos diferentes numa base mais próxima do que chega ao bolso. Ainda assim, herda todas as premissas da rentabilidade bruta: num IPCA+ ou num Selic, o resultado muda se inflação ou juros se afastarem do que a tabela de premissas indica.
Trata-se de um cálculo educativo, útil para entender o peso de cada custo, não de uma promessa de retorno.
Limitações e onde não se aplica
O cálculo supõe que o título é mantido até o vencimento ou até a data simulada, com resgate pela mesma taxa, sem marcação a mercado. Num resgate antecipado, o preço pode ser diferente, e resgates em menos de 30 dias ainda pagam IOF regressivo, caso não modelado aqui.
A custódia é aproximada sobre o valor aplicado, e não sobre o saldo que cresce dia a dia; as regras podem mudar, e os valores vigentes estão citados na página. Títulos com cupom semestral e os de renda programada seguem regras próprias e podem não ter estimativa.
Erros comuns
- Comparar a rentabilidade bruta de um título com a líquida de outro.
- Aplicar sempre 15 % de IR, esquecendo a tabela regressiva em prazos curtos.
- Ignorar a isenção de custódia do Tesouro Selic até R$ 10.000,00, ou estendê-la a outros títulos.
- Calcular o IR sobre o ganho bruto, sem descontar antes a custódia paga.
- Ler o número como garantido em títulos indexados à inflação ou à Selic.
Texto: Equipe indicex · revisado em 18/10/2026