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Rentabilidade real (Rent. real)

O ganho de um investimento depois de descontada a inflação do mesmo período, medido em poder de compra.

Fórmula usada no indicex

Unidade
percentual
Grupo
Retorno

Não há leitura de "maior é melhor" ou "menor é melhor": o número descreve tamanho ou nível. Veja todas as fórmulas na metodologia.

O que é

A rentabilidade real é o ganho de um investimento descontada a inflação do mesmo período, ou seja, o quanto o poder de compra do dinheiro aumentou ou diminuiu.

Um investimento que rendeu 10 % em um ano em que os preços subiram 10 % deixou o investidor com mais reais, mas com a mesma capacidade de consumo. A rentabilidade nominal, aquela que aparece nos extratos, não separa essas duas coisas. A rentabilidade real separa, usando um índice de inflação como régua.

No indicex, a régua é o IPCA, o índice oficial de inflação do país.

De onde vêm os números

A rentabilidade nominal vem do próprio indicador do ativo na mesma janela: o retorno total, no caso de ações e FIIs, ou a variação do preço do título, no caso do Tesouro Direto. Os preços das ações e cotas são os de fechamento da B3; os dos títulos, os publicados pelo Tesouro Nacional.

O IPCA é divulgado pelo IBGE e também disponível no sistema de séries do Banco Central. Como a inflação é publicada mês a mês e a janela do investimento raramente começa e termina no primeiro dia do mês, o indicex distribui o IPCA de cada mês pelos dias corridos (pro rata die) e usa as datas exatas de início e fim. Quando o IPCA do último mês ainda não foi divulgado, o cálculo usa o último índice mensal conhecido como estimativa, e o número aparece com o rótulo "estimado".

A combinação dos dois percentuais segue a fórmula de Fisher, por divisão, e não por subtração.

Exemplo

Um investimento na Empresa Lambda teve retorno nominal de 12 % em 12 meses. No mesmo intervalo, o IPCA acumulou 5 %.

Fator nominal: 1 + 0,12 = 1,12.

Fator da inflação: 1 + 0,05 = 1,05.

Divisão: 1,12 ÷ 1,05 ≈ 1,0667.

Rentabilidade real: 1,0667 − 1 ≈ 6,67 %.

A subtração simples (12 % − 5 %) daria 7 %, um número um pouco maior que o correto. A diferença cresce quando os percentuais são altos: com retorno nominal de 40 % e inflação de 30 %, a subtração indica 10 %, mas a rentabilidade real é 1,40 ÷ 1,30 − 1 ≈ 7,7 %.

Se o retorno nominal tivesse sido de 3 % com a mesma inflação, a rentabilidade real seria 1,03 ÷ 1,05 − 1 ≈ −1,9 %: o investidor terminou o ano com mais reais e menos poder de compra.

Como interpretar

Uma rentabilidade real positiva indica que o investimento preservou e ampliou o poder de compra no período. Um valor negativo indica que ele ficou atrás da inflação, mesmo que o retorno nominal tenha sido positivo.

O indicador é especialmente útil para comparar períodos com inflações diferentes e classes de ativos distintas na mesma base. Para ações e FIIs, compare com o histórico do próprio ativo e com a mediana do segmento; para títulos atrelados à inflação, lembre que a parcela real é justamente o que o título se propõe a entregar, se mantido até o vencimento.

Limitações e onde não se aplica

  • O IPCA mede a inflação média de uma cesta de consumo; a inflação sentida por cada pessoa pode ser diferente.
  • Nos meses mais recentes, o valor estimado pode mudar quando o IPCA oficial for publicado.
  • O cálculo herda as limitações da rentabilidade nominal usada, como a ausência de impostos e custos.
  • Janelas muito curtas, de poucos dias, produzem números pouco informativos.

Erros comuns

  • Subtrair a inflação da rentabilidade nominal, em vez de dividir os fatores.
  • Usar a inflação de uma janela diferente da do investimento, como o ano-calendário em vez dos 12 meses exatos.
  • Esquecer que o último mês pode estar estimado.
  • Comparar rentabilidade real de um ativo com rentabilidade nominal de outro.

Texto: Equipe indicex · revisado em 18/10/2026

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